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Dr. Marcos Kern – Psiquiatria em Arapongas – PR

Virar de um lado para o outro na cama. Olhar para o teto às três da manhã. Acordar cansado mesmo depois de “ter dormido”. Se isso descreve suas noites com frequência, você não está sozinho: estima-se que cerca de 70% da população brasileira apresente algum tipo de queixa relacionada ao sono, um número que só cresce com o uso constante de telas e a rotina cada vez mais acelerada.

Mas nem toda dificuldade ocasional para dormir é insônia no sentido clínico. Este texto explica o que realmente caracteriza esse quadro, por que ele está tão ligado à saúde mental, e o que pode ser feito para reverter esse ciclo, em vez de simplesmente aprender a conviver com noites mal dormidas.

Qual médico trata a insônia?

O psiquiatra é um dos profissionais mais indicados para investigar a insônia, especialmente porque ela está frequentemente conectada a quadros de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais.

O Dr. Marcos Augusto Kern, CRM-PR 45460, atua em Arapongas-PR com formação em psiquiatria. Ele realiza avaliação de adolescentes e adultos com queixas de insônia, investigando se há um transtorno mental de base envolvido, e conduz o tratamento, que pode incluir orientações comportamentais e, quando necessário, medicação.

O Dr. Marcos possui experiência na avaliação e tratamento da insônia. Procure ajuda em caso de necessidade.

Se você já perdeu a conta de quantas noites mal dormidas teve neste mês, vale buscar essa avaliação, em vez de simplesmente aceitar o cansaço como parte da rotina.

O que é, de fato, a insônia?

A insônia é definida como a dificuldade persistente para iniciar o sono, mantê-lo ao longo da noite, ou a sensação de sono não restaurador, mesmo havendo oportunidade adequada para dormir. O ponto-chave está no “persistente” e no impacto sobre o funcionamento diurno.

Isso significa que a insônia não é apenas sobre a noite mal dormida em si. Ela também envolve as consequências durante o dia: cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração, queda de desempenho no trabalho ou nos estudos, e sensação geral de mal-estar.

Insônia aguda ou crônica: qual a diferença?

Essa distinção é importante porque direciona a abordagem do tratamento.

A insônia aguda costuma surgir associada a um fator específico, como uma preocupação pontual, uma mudança na rotina ou um evento estressante. Geralmente é autolimitada, desaparecendo conforme a situação que a desencadeou se resolve.

Já a insônia crônica é definida quando as dificuldades de sono ocorrem pelo menos três vezes por semana, por um período mínimo de três meses. Esse critério de tempo e frequência, estabelecido pelo Consenso Brasileiro de Insônia, ajuda a diferenciar um mau período pontual de um quadro que já se estabeleceu e que, na maioria das vezes, não vai se resolver sozinho sem alguma intervenção.

Quais são os tipos de insônia?

Do ponto de vista clínico, a insônia costuma ser classificada de acordo com o momento da noite em que o problema se manifesta:

Insônia inicial. Dificuldade para pegar no sono no início da noite, mesmo estando cansado e deitado na cama há bastante tempo.

Insônia de manutenção. A pessoa consegue adormecer, mas acorda no meio da noite, com dificuldade para retomar o sono.

Despertar precoce. O sono é interrompido bem antes do horário planejado para acordar, sem conseguir voltar a dormir, mesmo estando ainda cansado.

Uma mesma pessoa pode apresentar mais de um desses padrões ao mesmo tempo, e identificar qual predomina ajuda o médico a direcionar melhor a investigação das causas.

Insônia é sempre sintoma de outro problema, ou pode ser um transtorno em si?

Por muito tempo, a insônia foi vista quase sempre como consequência de outra condição, uma espécie de sintoma secundário que desapareceria assim que o problema de base fosse resolvido.

Essa visão mudou. Hoje, a insônia crônica é reconhecida como um transtorno com identidade própria, mesmo quando ocorre junto com outras condições, como ansiedade ou depressão. Isso significa que, na maioria dos casos, tratar apenas a condição de base não é suficiente: a insônia, muitas vezes, precisa ser tratada diretamente, como parte do plano terapêutico, e não como um problema que vai desaparecer sozinho.

Depressão e ansiedade também causam insônia?

Sim, e essa relação é uma das mais estudadas dentro da medicina do sono. Boa parte das pessoas com insônia persistente também apresenta sintomas de ansiedade ou depressão, e essa conexão funciona nos dois sentidos.

De um lado, transtornos mentais frequentemente cursam com insônia como parte do próprio quadro clínico. Na depressão, alterações do sono, seja dificuldade para dormir, seja despertar precoce, fazem parte dos critérios diagnósticos da própria condição. Na ansiedade, a mente acelerada, a ruminação de pensamentos e a preocupação antecipatória sobre o dia seguinte dificultam o relaxamento necessário para adormecer.

De outro lado, a insônia crônica também é, ela mesma, um fator de risco para o desenvolvimento de depressão e ansiedade. Pessoas com insônia não tratada têm risco duas a três vezes maior de desenvolver um quadro de depressão maior ao longo do tempo, o que reforça que não dormir bem não é apenas desconfortável, mas potencialmente um gatilho para outros problemas de saúde mental.

Por isso, na hora de investigar a insônia, faz muito sentido também investigar a presença de sintomas emocionais, já que tratar apenas o sono, sem olhar para essa dimensão, costuma trazer resultados parciais. Um paciente que melhora a qualidade do sono, mas segue com ansiedade ou tristeza não tratadas, tende a ver a insônia retornar mais cedo ou mais tarde, já que a causa de fundo continua presente.

O que pode causar ou desencadear a insônia?

Além dos transtornos mentais já mencionados, diversos outros fatores podem contribuir para o surgimento ou a manutenção da insônia:

  • Estresse e preocupações relacionadas a trabalho, finanças ou relacionamentos.
  • Hábitos de sono inadequados, como horários irregulares para dormir e acordar.
  • Uso excessivo de telas, especialmente próximo ao horário de dormir.
  • Consumo de cafeína, álcool ou nicotina em horários próximos à noite.
  • Condições clínicas associadas, como dor crônica, apneia do sono ou síndrome das pernas inquietas.
  • Resposta condicionada: o próprio ato de tentar dormir, depois de muitas noites ruins, passa a gerar ansiedade antecipatória, criando um ciclo vicioso em que o quarto e a hora de deitar viram gatilhos de tensão, em vez de relaxamento.

Identificar qual ou quais desses fatores estão presentes ajuda a direcionar o tratamento de forma mais precisa, já que a estratégia para lidar com um estresse pontual é bem diferente daquela usada para desfazer um ciclo de resposta condicionada já instalado há anos.

Insônia não tratada aumenta o risco de outros problemas de saúde?

Sim, e os números são relevantes. Além do já mencionado aumento no risco de depressão, a insônia crônica está associada a um aumento de 30 a 50% no risco de hipertensão arterial, pior controle glicêmico em pessoas com diabetes, e maior risco de acidentes, incluindo os de trânsito, relacionados à sonolência diurna excessiva.

Insônia é uma questão de saúde.
O sono é um pilar fundamental da saúde como um todo. Procure ajuda em caso de necessidade.

Esses dados ajudam a reforçar um ponto importante: a insônia não deve ser tratada como um incômodo menor, algo que se resolve “só com força de vontade” ou que a pessoa deve simplesmente aprender a conviver. Ela tem repercussões reais sobre a saúde física e mental como um todo, funcionando quase como um fio condutor que conecta diferentes áreas da saúde de quem convive com ela por muito tempo sem tratamento.

Como é feito o diagnóstico da insônia?

O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em uma entrevista detalhada sobre os hábitos de sono, os horários de dormir e acordar, a qualidade percebida do sono e o impacto durante o dia.

Instrumentos como o Índice de Gravidade da Insônia e o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh são frequentemente usados como apoio à avaliação clínica, ajudando a quantificar a intensidade do problema.

A polissonografia, exame que registra a atividade do sono durante a noite, não é necessária na maioria dos casos de insônia. Ela costuma ser indicada em situações mais específicas, como suspeita de apneia obstrutiva do sono, dúvida diagnóstica relevante ou falha de resposta a um tratamento já tentado.

Qual o tratamento para a insônia?

O tratamento de primeira linha para a insônia crônica, segundo as diretrizes brasileiras e internacionais, é a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia, conhecida pela sigla TCC-I. Essa abordagem trabalha diretamente os pensamentos e comportamentos que mantêm o ciclo da insônia, com eficácia comparável à do tratamento medicamentoso, mas com resultados que tendem a durar mais tempo após o fim do tratamento.

Quando a medicação é necessária, existem diferentes opções, e a escolha depende do perfil de cada paciente, incluindo a presença de outras condições associadas, como depressão ou ansiedade. Vale destacar que, dentro do Sistema Único de Saúde, a amitriptilina é atualmente a única medicação oficialmente disponível com essa finalidade, prescrita fora da bula original para uso em insônia.

O ideal é que o tratamento combine, sempre que possível, a abordagem comportamental com o manejo medicamentoso quando necessário, evitando que o paciente dependa exclusivamente de medicações para dormir por longos períodos, sem trabalhar as causas de base do problema. Essa combinação costuma trazer resultados mais duradouros do que qualquer uma das abordagens isoladamente.

Insônia tem cura?

Sim, na maioria dos casos, especialmente quando o tratamento é conduzido de forma adequada e a insônia não está associada a uma condição clínica ou psiquiátrica de base mais complexa. O objetivo do tratamento é restabelecer um padrão de sono estável e satisfatório, sem depender indefinidamente de medicação.

Quando a insônia está associada a outro transtorno, como depressão ou ansiedade, o tratamento conjunto das duas condições costuma trazer os melhores resultados, com melhora tanto do sono quanto do quadro emocional de base.

O que é “higiene do sono” e ela realmente ajuda?

Higiene do sono é o conjunto de hábitos e práticas que favorecem um sono de melhor qualidade. Entre as principais recomendações estão:

  • Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana.
  • Evitar cafeína, álcool e refeições pesadas próximo ao horário de dormir.
  • Reduzir o uso de telas na hora que antecede o sono.
  • Manter o quarto escuro, silencioso e em temperatura agradável.
  • Reservar a cama apenas para dormir, evitando trabalhar ou assistir a conteúdos ali.
  • Praticar atividade física regularmente, evitando horários muito próximos ao momento de deitar.

Essas medidas ajudam bastante em casos leves ou como parte de um tratamento mais amplo, mas raramente resolvem, sozinhas, um quadro de insônia crônica já estabelecido. Nesses casos, elas funcionam melhor como complemento à terapia cognitivo-comportamental ou ao tratamento medicamentoso, e não como substituto.

Insônia em crianças e adolescentes: também acontece?

Sim, embora seja um tema menos discutido do que a insônia em adultos. Crianças e adolescentes também podem apresentar dificuldades persistentes para iniciar ou manter o sono, com impacto direto no comportamento, no humor e no desempenho escolar.

Em crianças pequenas, a insônia costuma estar relacionada a hábitos de sono inadequados, ausência de rotina consistente na hora de dormir, ou dependência de determinadas condições para conseguir adormecer, como a presença constante de um cuidador no quarto. Já em adolescentes, fatores como uso excessivo de telas à noite, alterações naturais do ritmo biológico típicas dessa fase e o aumento de demandas escolares e sociais costumam desempenhar papel importante.

Assim como em adultos, a insônia na infância e na adolescência também pode estar associada a quadros de ansiedade ou humor, o que reforça a importância de uma avaliação cuidadosa quando o problema persiste, em vez de simplesmente atribuir a dificuldade à “fase” ou à idade.

Remédio para dormir sem receita: por que não é uma boa ideia?

É comum recorrer a medicamentos de venda livre, chás ou suplementos por conta própria diante de noites mal dormidas. Embora alguns desses recursos possam trazer algum alívio pontual, essa prática merece cautela.

O primeiro problema é que tratar a insônia sem investigar sua causa costuma mascarar o problema, em vez de resolvê-lo. Se a insônia está associada a um quadro de ansiedade ou depressão não identificado, por exemplo, aliviar apenas o sintoma do sono atrasa o diagnóstico e o tratamento adequado da condição de base.

O segundo problema envolve o uso prolongado e sem orientação de substâncias com potencial de gerar dependência ou tolerância, fazendo com que doses cada vez maiores sejam necessárias para o mesmo efeito, com riscos que superam os benefícios a longo prazo.

Buscar orientação profissional, mesmo diante de sintomas aparentemente simples, permite um tratamento direcionado à causa real do problema, com menor risco de complicações no caminho e maior chance de resolver a insônia de forma duradoura, em vez de apenas mascará-la noite após noite.

Quando procurar um psiquiatra?

Vale buscar avaliação quando a dificuldade para dormir persiste por semanas ou meses, atrapalha seu funcionamento durante o dia, ou vem acompanhada de sintomas como tristeza persistente, preocupação excessiva ou perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas.

Você não precisa esperar a insônia se tornar insuportável, nem tentar resolver sozinho por muito tempo antes de buscar ajuda. Quanto antes o ciclo for interrompido, mais simples tende a ser o tratamento, e menor a chance de que outras condições de saúde se somem ao quadro ao longo do caminho.

Este é um tema que merece atenção, já que a insônia persistente está diretamente ligada ao risco de depressão e outros problemas de saúde mental. Se você percebe, além da dificuldade para dormir, sinais de sofrimento emocional importante, vale conversar com um psiquiatra o quanto antes.


Dr. Marcos Augusto Kern — CRM-PR 45460


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